Nos 50 anos do prémio<br>da SPE a Luuanda

A Assembleia da República aprovou, por unanimidade, dia 22, um voto de saudação pelo 50.º aniversário da atribuição do prémio de novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores ao livro Luuanda, de José Luandino Vieira.

No texto, apresentado pela bancada comunista, recorda-se que nessa altura Luandino Vieira estava preso no Tarrafal a cumprir uma pena de 14 anos decretada pelas autoridades fascistas por alegadas actividades terroristas em Angola. «A Direcção da SPE, presidida por Jacinto do Prado Coelho, sobre a qual foram exercidas pressões de vária ordem para que revogasse a decisão do júri, manteve uma firmeza exemplar. Os membros do júri que atribuiu o prémio, Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, Fernanda Botelho e Manuel da Fonseca, foram interrogados na PIDE, tendo ficado os dois primeiros e o último detidos às ordens daquela política política», regista o voto de saudação, antes de lembrar o assalto e saque de que foi alvo a sede da SPE nessa mesma noite (21 de Maio de 1965) por «bandos de "desconhecidos", apoiados por elementos da PIDE e da Legião Portuguesa», que tudo destruíram.

A partir daí foi uma «campanha repressiva e difamatória contra o escritor, a obra galardoada, o júri e a SPE», salienta o texto, onde não é esquecida a circunstância de Luandino Vieira representar, em 1965, «com a sua acção política e a sua criação literária, a nação angolana que estava a nascer».

«Os escritores portugueses, com a sua corajosa atitude, deram expressão à luta do povo português pela liberdade e a democracia, contra o fascismo e o colonialismo português. A História viria a dar-lhes razão», conclui o voto de saudação através do qual a AR homenageia a Direcção da SPE e os membros do júri do prémio de novelística de 1965, «pelo acto de coragem cívica que a sua atitude representou», e «saúda a Associação Portuguesa de Escritores como digna sucessora da Sociedade violentamente extinta em 1965».

 



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